
Minha mãe dizia que todo problema tem solução. Dizia ainda, que no final tudo dá certo, e se por acaso não desse, é porque já estava certo e nós é que queríamos mudar uma situação.
Hoje, aos cinqüenta e três anos, vivendo talvez, o maior problema de minha vida, a esquizofrenia de minha filha; tenho pensado bastante sobre estas sábias palavras.
Sim, a esquizofrenia é um problema para todos que convivem com ela e principalmente para os que são portadores dessa doença. Tem solução? Sim! Embora, ainda, veja bem que eu digo ainda, pode não ter cura, mas com certeza, um ser iluminado trará a cura em algum tempo.
Como mãe, digo que a única solução para este problema é enfrentá-lo. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a lidar com ela, parafraseando a música “Vivendo e aprendendo a jogar”.
Há dias em que você está mais fortalecida e consegue enfrentar as armadilhas desta doença. Há outros, no entanto, em que a nossa condição humana nos pega pela fragilidade e o esgotamento físico e psicológico. Entretanto, respondo sempre a quem me pergunta sobre o estado de minha filha: “na luta”. É verdade! É uma luta diária contra a tristeza, o isolamento, as vozes que não escutamos, mas eles sim, enfim, é a luta por acreditar que a vida é Divina, seja ela qual e como for, e por isso, não pode, não deve ser perdida.
Sabe, nunca valorizei tanto um sorriso de um filho. E, no entanto, apesar de minhas falhas e limitações, sempre fiz tudo para vê-los felizes, contudo, nunca dei tanto valor ao sorriso de cada um.
Hoje, cada sorriso estampado no rosto de minha filha, é a certeza de que nossa luta deve continuar e que é válida. E ainda, que tudo está certo, nada está errado. Talvez as coisas não tenham acontecido da forma que nós gostaríamos, mas com certeza, aconteceu com as pessoas certas, porque minha filha e eu fomos feitas uma para outra.
Através deste problema, me conscientizei da importância da maternidade em minha jornada terrena. Através da esquizofrenia de minha filha, aprendi a valorizar um sorriso, um estender de mão quando pede a minha como um porto na qual ela quer se ancorar.
Sim, minha mãe estava certa, como estão sempre todas as mães, mas que só com o passar dos anos e o peso da experiência nos ombros é que podemos perceber isso.
A esquizofrenia é um problema e tem solução a partir do momento em que a enfrentamos sem medo, sem peninha de nós mesmos, sem nos acharmos injustiçados ou coisa que o valha. Não excluo a dor, o sofrimento, a angústia, a incerteza e o medo de não ser capaz. Mas ainda assim, se ela existe é para ser enfrentada! E de cadeira lhes digo, que é preciso muito mais que Amor para lidar com esta doença. É preciso muita tolerância, paciência, compreensão, determinação, firmeza, carinho, mas acima de tudo, disposição para lutar todos os dias de sua vida, até mesmo por um simples sorriso.
Tania Lacerda/Rio, 22/12/2008.
Hoje, aos cinqüenta e três anos, vivendo talvez, o maior problema de minha vida, a esquizofrenia de minha filha; tenho pensado bastante sobre estas sábias palavras.
Sim, a esquizofrenia é um problema para todos que convivem com ela e principalmente para os que são portadores dessa doença. Tem solução? Sim! Embora, ainda, veja bem que eu digo ainda, pode não ter cura, mas com certeza, um ser iluminado trará a cura em algum tempo.
Como mãe, digo que a única solução para este problema é enfrentá-lo. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a lidar com ela, parafraseando a música “Vivendo e aprendendo a jogar”.
Há dias em que você está mais fortalecida e consegue enfrentar as armadilhas desta doença. Há outros, no entanto, em que a nossa condição humana nos pega pela fragilidade e o esgotamento físico e psicológico. Entretanto, respondo sempre a quem me pergunta sobre o estado de minha filha: “na luta”. É verdade! É uma luta diária contra a tristeza, o isolamento, as vozes que não escutamos, mas eles sim, enfim, é a luta por acreditar que a vida é Divina, seja ela qual e como for, e por isso, não pode, não deve ser perdida.
Sabe, nunca valorizei tanto um sorriso de um filho. E, no entanto, apesar de minhas falhas e limitações, sempre fiz tudo para vê-los felizes, contudo, nunca dei tanto valor ao sorriso de cada um.
Hoje, cada sorriso estampado no rosto de minha filha, é a certeza de que nossa luta deve continuar e que é válida. E ainda, que tudo está certo, nada está errado. Talvez as coisas não tenham acontecido da forma que nós gostaríamos, mas com certeza, aconteceu com as pessoas certas, porque minha filha e eu fomos feitas uma para outra.
Através deste problema, me conscientizei da importância da maternidade em minha jornada terrena. Através da esquizofrenia de minha filha, aprendi a valorizar um sorriso, um estender de mão quando pede a minha como um porto na qual ela quer se ancorar.
Sim, minha mãe estava certa, como estão sempre todas as mães, mas que só com o passar dos anos e o peso da experiência nos ombros é que podemos perceber isso.
A esquizofrenia é um problema e tem solução a partir do momento em que a enfrentamos sem medo, sem peninha de nós mesmos, sem nos acharmos injustiçados ou coisa que o valha. Não excluo a dor, o sofrimento, a angústia, a incerteza e o medo de não ser capaz. Mas ainda assim, se ela existe é para ser enfrentada! E de cadeira lhes digo, que é preciso muito mais que Amor para lidar com esta doença. É preciso muita tolerância, paciência, compreensão, determinação, firmeza, carinho, mas acima de tudo, disposição para lutar todos os dias de sua vida, até mesmo por um simples sorriso.
Tania Lacerda/Rio, 22/12/2008.



